Pernambuco vai à Sapucaí com desfile da Grande Rio sobre o Manguebeat

Gilberto Costa
Fotos: Fernando Frazão
Agência Brasil de Comunicação
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Rio de Janeiro/RJ - A lama do manguezal do Rio Capiberibe, no Recife/PE, vai se juntar à do Jardim Gramacho, em Duque de Caxias/RJ, no desfile da Grande Rio sobre o movimento Manguebeat.

Para o Carnavalesco Antônio Gonzaga, responsável pelo Enredo A Nação do Mangue, o ritmo pernambucano e a Escola da Baixada Fluminense têm confluências e, entre elas, a transformação social de suas regiões.

“Tem a ver com o modo da Escola de fazer Carnaval, com o estilo estético e com o discurso da Escola“, disse em entrevista à Agência Brasil.

Nos anos 1990, a biodiversidade do manguezal serviu de inspiração para músicos do Recife/PE que fundiram guitarras do heavy metal e do reggae com tambores do maracatu, do coco e da ciranda ─ entre outras misturas e combinações peculiares, experimentadas pelas bandas Mundo Livre S/A, Chico Science & Nação Zumbi.

Esses músicos criaram o movimento Manguebeat e mudaram a cena cultural de sua cidade a partir da lama dos manguezais, usada como como metáfora da resistência e criatividade que existe nas periferias da capital pernambucana, longe do eixo Rio-São Paulo.

“O que fazer para não afundar na depressão crônica que paralisa os cidadãos? Como devolver o ânimo, deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco de energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife”, recomendava o manifesto “Caranguejos com cérebro” (1992), escrito pelo jornalista Fred Zero Quatro, vocalista da Mundo Livre S/A.

Mais jovem que a Grande Rio e que o Manguebeat, o Carnavalesco, nascido em 1994, conta que a inspiração para o Enredo veio de uma conversa com o pai, o Jornalista e Escritor Renato Lemos, autor do livro Inventores do Carnaval (editora Verso Brasil), e fã de Chico Science & Nação Zumbi e do Mundo Livre S/A.

“Eu sempre gostei de Nação Zumbi. Meu pai [que também assina a sinopse do Enredo] escutava em casa, e eu, criança, escutava por tabela e curtia muito e entendia que seria importante o Manguebeat ser Enredo em qualquer momento. Acho estranho que isso não tenha acontecido ainda”, disse ao participar do programa Sem Censura, da TV Brasil.

As semelhanças geográficas e sociais entre Duque de Caxias/RJ e a região onde nasceu o movimento cultural se somaram a essa afeição.

“Pesquisando, achei essa conexão de a região da Escola, Caxias, ser uma cidade cercada por manguezais. Então, fazer esse paralelo com os movimentos de periferia da Baixada Fluminense acho que foi o pulo do gato para fazer esse Enredo dar certo”.

Segundo Gonzaga, a capital de Pernambuco estará representada nas fantasias e nas alegorias ─ serão 6 setores, com 5 carros alegóricos e 3 tripés.

Bem trajadas, várias personalidades recifenses cairão no samba em um Carnaval colorido para disputar o Bicampeonato, promete o Carnavalesco.

RITMOS DO RECIFE/PE
O Mestre de Bateria Fabrício Machado de Lima, o Mestre Fafá, de 34 anos, garante que os 270 ritmistas da Escola estão prontos para sustentar o desfile tocando seus surdos de primeira, segunda e terceira, caixas, repiques, agogôs, chocalhos e tamborins.
Segundo Fafá, o arranjo será inspirado nas inovações do Manguebeat e fará referências ao frevo e ao maracatu, além de seguir “as viagens” musicais e rítmicas de Chico Science.

“Pode esperar muita alegria, muita bossa inspirada no trabalho de Chico [Science], um cara que misturava muitos ritmos”, disse Fafá também no programa Sem Censura, da TV Brasil.

Além da percussão, as referências estarão também na fantasia da ala que é o coração do Carnaval.

“A nossa fantasia [da Bateria] representa o bloco afro Lamento Negro [bairro popular de Olinda/PE na divisa com Recife/PE], que é um dos blocos que o Chico [Science] ajudou a fundar”.
br />O som da Bateria promete reforçar a identificação cultural entre quem vive nos mangues de Recife/PE e nas margens sociais da Baixada Fluminense, como faz a letra do Samba-enredo.

“Eu também sou caranguejo à beira do igarapé / Gabiru trabalha cedo, cata o lixo da maré”.

A letra é assinada por Ailson Picanço, Marquinho Paloma, Davison Wendel, Xande Pieroni, Marcelo Moraes e Guga Martins.

A Grande Rio é a penúltima escola a desfilar na terça-feira (17/02), último dia de desfile do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro.

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Neste período carnavalesco, entre sábado (14/02) e segunda-feira (16/02), o Blog do Teófilo apresenta Série de Reportagens sobre os Enredos das Escolas de Samba do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro. O material jornalístico é de autoria de profissionais da Agência Brasil. O Enredo A Nação do Mangue, da Grande Rio, é o penúltima de 12 que serão publicados, conforme ordem de desfile das Escolas de Samba.

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