Vereador do Rio de Janeiro/RJ é preso suspeito de ligação com o Comando Vermelho

Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão
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Rio de Janeiro/RJ - O vereador do Rio de Janeiro Salvino Oliveira Barbosa (PSD), ex-secretário municipal da Juventude, foi preso nesta quarta-feira (11/03) pela Polícia Civil por suspeita de ligação com o Comando Vermelho, a maior facção criminosa do Estado.

A operação revelou tentativas de interferência política em áreas dominadas pelo tráfico, com o objetivo de transformar esses territórios em bases eleitorais.

Segundo a investigação, o vereador Salvino teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, área sob domínio do Comando Vermelho.

“Em contrapartida, o parlamentar teria articulado benefícios ao grupo criminoso, apresentados publicamente como ações voltadas à população local. Um dos exemplos investigados envolve a instalação recente de quiosques na região. Conforme apurado, a definição de parte dos beneficiários teria sido determinada diretamente por integrantes da facção, sem processo público transparente”, informou a polícia.

A assessoria do vereador disse que, até o momento, o Gabinete não recebeu qualquer informação oficial sobre o ocorrido.

“A assessoria jurídica já foi acionada e aguardamos esclarecimentos das autoridades competentes para compreender os fatos”, diz a nota.

Policiais da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro deflagraram a Operação Contenção Red Legacy, com o objetivo de desarticular a estrutura nacional do Comando Vermelho, identificada pela investigação como organização criminosa com características de cartel e atuação interestadual altamente estruturada.

“As investigações reuniram um conjunto robusto de provas que revelam o funcionamento interno da facção, demonstrando a existência de uma cadeia de comando organizada, divisão territorial e articulação entre integrantes em diferentes estados do país”, informou a corporação.

“Até o momento, 6 criminosos foram presos, incluindo um vereador do município do Rio de Janeiro”, acrescentou.

As apurações também identificaram a participação direta de familiares de um dos principais líderes históricos da facção, Márcio dos Santos Nepomuceno, o “Marcinho VP”, no funcionamento dessa organização criminosa.

Segundo a investigação, Márcia Gama, esposa de Marcinho VP, atua na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional, participando da circulação de informações entre integrantes e de articulações envolvendo operadores da organização e agentes externos.

Outro investigado apontado como peça relevante na estrutura é Landerson, sobrinho de Marcinho VP.

De acordo com a investigação, ele exerce papel de elo entre lideranças da facção, integrantes que atuam em comunidades dominadas pelo grupo e pessoas envolvidas em atividades econômicas exploradas pela organização criminosa, como serviços, imóveis e outros negócios utilizados para geração de recursos e expansão do poder do grupo.

Márcia e Landerson não foram localizados em seus endereços e são considerados foragidos da Justiça.

Durante as investigações, também foram identificados casos de criminosos que se passavam por policiais militares para obter vantagens ilícitas, incluindo vazamento de informações e simulação de operações.

“A Polícia Civil ressalta que essas condutas representam traição à instituição e não refletem a atuação da grande maioria dos profissionais da segurança pública, que desempenha seu trabalho com dedicação e compromisso com a sociedade”, afirma a corporação.

O trabalho investigativo aponta ainda uma estrutura criminosa de grande complexidade, com conselho nacional, conselhos regionais e articulação entre organizações criminosas de diferentes Estados, inclusive com indícios de cooperação entre o Comando Vermelho e o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Mesmo após quase 3 décadas no sistema prisional, as investigações indicam que Marcinho VP continua exercendo papel central na estrutura de comando da facção, apontado como liderança do chamado conselho federal permanente do grupo.

A apuração também identificou outros integrantes com funções estratégicas dentro da organização, entre eles o traficante Doca, apontado como principal liderança nas ruas; Luciano Martiniano da Silva, o “Pezão”, responsável pela gestão financeira do grupo; e Carlos da Costa Neves, o “Gardenal”, encarregado de operacionalizar determinações da liderança.

As investigações seguem em andamento para aprofundar a responsabilização penal de todos os envolvidos e ampliar o combate às estruturas financeiras, operacionais e institucionais utilizadas pela organização criminosa.

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