Ministro dos Povos Indígenas classifica como crítica proliferação de Chikungunya em Dourados/MS

Alex Rodrigues
Agência Brasil de Comunicação
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Foto: Secretaria de Saúde do Mato Grosso do Sul
Brasília/DF - O novo ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, classificou como crítico o cenário de Dourados/MS, município que está em situação de emergência devido aos casos de Chikungunya.

“Quando se trata de Saúde, de vidas humanas, a responsabilidade é global. Não estamos aqui para dizer que a responsabilidade era do Município, do Governo Estadual ou do Governo Federal. Estamos aqui para reconhecer esta situação crítica. Portanto, não temos uma posição negacionista e vamos enfrentá-la”, disse Terena, ao visitar o Município nesta sexta-feira (03/04).

Segundo o Governo de Mato Grosso do Sul, desde Janeiro até o início de Abril, o número de casos confirmados da doença no Estado chegava a 1.764, incluindo 37 gestantes. Havia também 1.893 casos em análise.

Com 759 registros, em números absolutos, Dourados/MS concentra a maior quantidade de casos prováveis de Chikungunya no Estado.

Embora a situação atinja toda a população, tem tido maior impacto sobre as comunidades indígenas.

Dos 7 óbitos registrados em todo Estado, 5 ocorreram na Reserva Indígena de Dourados/MS.

Entre os mortos, 2 tinham menos de 4 meses de vida. Os outros 2 óbitos no Estado foram registrados nas cidades de Bonito/MS e Jardim/MS.

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O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional reconheceu em 30 de Março a situação de emergência na cidade, que a Prefeitura decretou dias antes, em 27 de Março.

O avanço da Chikungunya em Dourados/MS motivou o Governo Federal a anunciar, nesta semana, mais uma série de medidas para combater o mosquito Aedes Aegypti, interromper o ciclo de transmissão da doença e aperfeiçoar o atendimento aos pacientes.

A situação é mais grave na reserva indígena local, onde 5 pessoas já morreram, incluindo 2 bebês.

O Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde do Distrito Sanitário Especial Indígena do Estado emitiu um alerta epidemiológico apontando o aumento dos casos na cidade.

Após isto, agentes da Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) foram deslocados para se incorporarem à força-tarefa composta por servidores da Secretaria de Saúde Indígena e da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, do Ministério da Saúde.

Além de mobilizar profissionais, na última quinta-feira (02/04), o Governo Federal destinou cerca de R$ 3,1 milhões em recursos públicos para Dourados/MS.

Do total, R$ 1,3 milhão serão destinados a ações de socorro e assistência humanitária, como apoio direto à população.

Mais R$ 974,1 mil vão custear iniciativas como limpeza urbana, remoção de resíduos e destinação em aterro sanitário licenciado.

Os R$ 855,3 mil restantes financiarão outras ações de vigilância, assistência e controle da Chikungunya na cidade.

CONTRATAÇÕES
Eloy Terena afirmou que os recursos liberados pelos Ministérios da Integração e do Desenvolvimento Regional e da Saúde “já estão nas contas dos Governos Estaduais e Municipais”, responsáveis por utilizá-los para contratar, em caráter emergencial, os bens e serviços necessários.

Representante do Ministério da Saúde na comitiva que acompanhou o Ministro, Daniel Ramos destacou que, além das demais medidas, o Ministério vai contratar, provisoriamente, e capacitar, 50 agentes de combate a endemias-20 dos quais começarão a trabalhar neste sábado (04/04).

Junto com 40 militares disponibilizados pelo Ministério da Defesa, os agentes se somarão ao atendimento à população e ao combate aos focos de reprodução do mosquito Aedes Aegypti.

“A assistência é uma das partes importantes e a gente vai entrar com ações contundentes de controle vetorial para reduzir esta pressão nos serviços [de Saúde]”, garantiu Ramos.

Já a representante da Força Nacional do SUS, Juliana Lima, explicou que, embora as equipes de Saúde estejam atuando diariamente nas aldeias Bororó e Jaguapiru, na Reserva Indígena Dourados, é difícil dizer se houve uma melhora da situação nas últimas semanas.

“O cenário está muito dinâmico. Ele vem se mostrando, dia após dia, com um perfil epidemiológico diferenciado. Então, a gente não está conseguindo ainda afirmar se há uma diminuição ou um aumento [do número de casos] nesta ou naquela aldeia. Mas fazemos o monitoramento, os registros, diariamente e, com isso, conseguimos sinalizar para a vigilância onde eles devem priorizar os atendimentos dos casos agudos”.

Destacando a condição sui generis [diferenciada] da Reserva Indígena Dourados, “que foi englobada pelo município de Dourados/MS”, estando, hoje, cercada pela crescente área urbana, Terena cobrou, da Prefeitura, mais atenção à coleta do lixo nas aldeias indígenas, de forma a eliminar criadouros do mosquito Aedes Aegypti.

“Temos que aperfeiçoar a questão dos resíduos sólidos, do lixo. É preciso atender de igual forma não só o contexto urbano, como as comunidades indígenas”, disse o Ministro.

Terena pretende se reunir com representantes dos Governos Municipal e Estadual e discutir projetos estruturais “para que possamos chegar a estas comunidades indígenas com projetos com vistas a melhorar a coleta de lixo” nas comunidades indígenas.

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