Mãe de Lula “canta” no Samba-Enredo da Acadêmicos de Niterói

Gilberto Costa
Agência Brasil de Comunicação
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Foto: Ricardo Stuckert - Presidência da República
Rio de Janeiro/RJ - O desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro começa no Domingo de Carnaval, 15 de fevereiro, com a Acadêmicos de Niterói.

A escola estreante na elite das agremiações trará um Samba-Enredo narrado em primeira pessoa por uma retirante nordestina: Dona Lindu, mãe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que será homenageado pelo Enredo Do Alto do Mulungu Surge a Asperança: Lula, o Operário do Brasil.

Na letra do Samba, Eurídice Ferreira de Mello, mãe de 8 filhos, narra a viagem de “13 noites e 13 dias” com a família, em um caminhão “pau-de-arara”, entre Garanhuns/PE, no interior de Pernambuco, e a periferia de Guarujá/SP, no litoral paulista.

Em entrevista à Agência Brasil, a Cantora e Compositora Teresa Cristina, uma das autoras do Samba-Enredo, conta que reunir a família era a motivação daquela travessia.

“Ela fez isso por amor, né? Ela veio atrás do pai [das crianças]”, explica. “O Samba é sobre o Brasil. É sobre um Silva. É sobre sobreviventes”.

Teresa Cristina assina o Samba em pareceria com André Diniz, Paulo César Feital, Fred Camacho, Junior Fionda, Arlindinho Cruz, Lequinho, Thiago Oliveira e Tem-Tem Jr.

Dona Lindu faleceu em 1980, aos 64 anos. Ao escutar o Samba e rever memórias, Lula se comoveu, revela Teresa Cristina.

“Quando a gente falou para ele: ‘olha, o Samba é uma história sendo contada pela sua mãe’, o olho dele na hora deu aquela marejada”.

“[Depois], ele ouviu o Samba e chorou copiosamente. Começou a falar da mãe, falou do pai. Ficou bem emocionado, sabe? Com o rosto todo vermelho. Senti que ele ficou feliz de ter a história dele imortalizada em um Samba-Enredo”.

DO AGRESTE À PRESIDÊNCIA
O mulungu (mulungu-da-caatinga), citado no título do Samba, é uma árvore de copa larga e flores avermelhadas, de altura de 12 a 18 metros, com tronco de até 80 centímetros de diâmetro, onde as crianças do agreste costumavam brincar, como faziam Lula e os seus irmãos.

A jornada do menino do sertão pernambucano que virou operário no ABC paulista, líder sindical, político e Presidente da República merece reconhecimento, defende o presidente da Acadêmicos de Niterói, Wallace Palhares.

“Eu costumo falar que, independentemente de as pessoas gostarem ou não [dele], pela política, é preciso respeitar a história de uma pessoa que saiu lá do interior de Pernambuco, foi para São Paulo e hoje ocupa a maior cadeira desse país”, disse em entrevista ao professor e historiador Leandro Silveira, que apresenta o quadro No Ritmo da Folia, no programa Tarde Nacional, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro (FM 87,1 MHz ou AM 1130 kHz).

Para além da trajetória do político, o Samba-Enredo faz referência à melhoria das condições de vida da população ao longo dos 3 mandatos de Lula, como no combate à fome e na ampliação de acesso à Educação.

A letra do Samba ainda relembra o ex-deputado Rubens Paiva, a Estilista Zuzu Angel, o Jornalista Wladimir Herzog – mortos pela ditadura militar (1964-1985) ─ e o Sociólogo Betinho (Hebert de Sousa) e seu irmão, o Cartunista Henfil.

Outra referência do Samba não é citada explicitamente. Parte do refrão tem os versos “Olê, olê, olê, olá/Vai passar nessa avenida mais um samba popular”, uma referência à letra do samba Vai Passar, de Chico Buarque de Hollanda.

“Fui eu que coloquei na letra. Eu queria que as pessoas lembrassem tanto do samba Vai Passar, como se lembrassem do Chico Buarque”, admite Teresa Cristina.

Para a Cantora, “o Chico Buarque sempre esteve ao lado do Brasil. A gente sempre sabe que pode contar com ele, um artista que nunca se dobrou à bruta autoridade, à ditadura, a generais. O Chico é um homem muito corajoso”.

ENREDO RECORRENTE
Essa não é a primeira vez que Lula vira Enredo de Escola de Samba. Em 2012, a Gaviões da Fiel, agremiação de São Paulo, homenageou o presidente com o Enredo Verás que um Filho teu não Foge à Luta – Lula, o Retrato de uma Nação.

Em 2023, a Cidade Jardim, Escola de Samba de Belo Horizonte, desfilou com o Enredo Sem Medo de ser Feliz.

Outros Presidentes da República já foram homenageados.

Getúlio Vargas foi Enredo da Mangueira (1956) em Exaltação a Getúlio Vargas ou o Grande Presidente; do Salgueiro (1985), em Anos Trinta, Vento Sul – Vargas; e da Portela (2000), em Trabalhadores do Brasil ─ a Época de Getúlio.

Juscelino Kubistchek, por sua vez, foi Enredo da Mangueira (1981) em De Nonô a JK.

LEI ROUANET
O desfile da Acadêmicos de Niterói não será financiado pela Lei Rouanet de incentivo à Cultura, diferentemente do que chegou a circular nas redes sociais.

A Escola recebeu em Dezembro autorização da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura e da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura para captar até R$ 5,1 milhões para a apresentação.

Em razão do prazo exíguo, a agremiação desistiu de tentar captar recursos.

A Lei Rouanet opera sem qualquer transferência de recursos do Governo Federal para projetos culturais.

Produtores que têm suas propostas autorizadas, após análise técnica dos 2 órgãos do Ministério da Cultura, podem tentar captar o valor autorizado junto a empresas e pessoas contribuintes do Imposto de Renda. Os eventuais patrocinadores podem abater o valor do financiamento do imposto devido – até 4% se for empresa e até 6% se for Pessoa Física.

No dia 19 de Janeiro, a Embratur e a Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro) assinaram um termo de cooperação técnica, com a interveniência do Ministério da Cultura, que permite o repasse de R$ 1 milhão para cada agremiação do Grupo Especial de Escolas de Samba do Rio de Janeiro – um total de R$ 12 milhões a serem investidos neste Carnaval.

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Neste período carnavalesco, entre sábado (14/02) e segunda-feira (16/02), o Blog do Teófilo apresenta Série de Reportagens sobre os Enredos das Escolas de Samba do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro. O material jornalístico é de autoria de profissionais da Agência Brasil. O Enredo Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil, da Acadêmicos de Niterói, é o primeiro de 12 que serão publicados, conforme ordem de desfile das Escolas de Samba.

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