Argentina está disposta a mandar militares para guerra se Estados Unidos pedirem

Lucas Pordeus León
Agência Brasil de Comunicação
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Foto: Site Oficial do Governo da Argentina

Brasília/DF - Em mais uma demonstração de alinhamento automático com Washington e Tel Aviv, o governo da Argentina informou que enviaria militares para a guerra no Oriente Médio caso os Estados Unidos solicitassem.

"Se os Estados Unidos solicitarem, sim. Qualquer assistência que eles considerem necessária será fornecida", disse o porta-voz do governo argentino, Javier Lanari, em entrevista ao jornal espanhol El Mundo, nessa quarta-feira (18/03).

Lanari completou que não sabe se os Estados Unidos pediram ajuda.

Desde que assumiu a presidência argentina, Javier Milei tem adotado postura de apoio irrestrito à Israel e aos Estados Unidos, imitando políticas de Washington, como a saída da OMS (Organização Mundial da Saúde), e prometendo transferir a embaixada do país de Tel Aviv para Jerusalém, medida que simboliza apoio irrestrito à Israel, uma vez que o status da cidade é disputada com os palestinos, que defendem Jerusalém Oriental como sua futura capital.

Além de apoiar a agressão contra o Irã, Milei chegou a afirmar que o país seria um “inimigo” e voltou a acusar Teerã pelo atentado a bomba contra a AMIA (Associação Mutual Israelita Argentina), em 1994. O Irã sempre negou participação do episódio.

As falas duras de Milei a favor da guerra contra o Irã fez o Tehran Times, importante jornal iraniano, publicar um editorial defendendo que o governo iraniano não pode permanecer indiferente às posições hostis do atual governo argentino.

“Parece que Milei, com essa postura e ao cruzar a linha vermelha da segurança nacional iraniana, busca sacrificar os interesses e a conveniência nacionais no altar dos EUA e do regime de apartheid israelense”, diz coluna do Tehran Times assinada por Saleh Abidi Maleki.
A disposição da Argentina de enviar militares ao Oriente Médio foi tornada pública em meio as denúncias de corrupção que atingem o presidente argentino no caso da criptomoeda Libra, promovida nas redes sociais pelo Milei e que geraram perdas milionárias para investidores.

O jornal argentino El Destape revelou, no último sábado (14/03), que uma análise de peritos judiciais do celular do empresário Mauricio Novelli revelaria um suposto acordo de US$ 5 milhões envolvendo o presidente argentino e sua irmã Karina, dias antes de Milei publicar uma mensagem divulgando a Libra nas redes sociais, em Fevereiro de 2025.

O presidente argentino ainda não comentou as novas denúncias. O ministro da Justiça, Juan Bautista Mahiques, disse que seria “imprudente” acusar Milei.

Deputados da oposição usam a nova denúncia para tentar abrir uma investigação no Parlamento.

GUERRAS DA ARGENTINA
Essa não seria a primeira vez que a Argentina participaria dos esforços de guerra dos Estados Unidos no Oriente Médio.

Em 1991, o presidente argentino Carlos Menem enviou navios de guerra para auxiliar do bloqueio naval durante a Guerra do Golfo, quando o Iraque invadiu o Kuwait.

Quase 10 anos antes, a Argentina se envolveu em outro conflito, a Guerra das Malvinas, em 1982, quando a ditadura militar do país vizinho tentou tomar o arquipélago controlado pelo Reino Unido no extremo sul da América do Sul, chamado pelos ingleses de Ilhas Falklands.

Na época, os Estados Unidos apoiaram o Reino Unido contra a Argentina na guerra que custou a vida de 649 argentinos e 255 britânicos.

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