Relatório aponta média de 12 mulheres vítimas de violência por dia

Rafael Cardoso
Foto: Paulo Pinto
Agência Brasil de Comunicação
www.agenciabrasil.ebc.gov.br

Brasília/DF - A cada 24 horas, 12 mulheres, em média, são vítimas de violência em 9 Estados brasileiros acompanhados pela Rede de Observatórios da Segurança: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (06/03) e foram produzidos a partir de um monitoramento diário do que circulou nas mídias sobre violência e segurança no ano de 2025.

Ao todo, 4.558 mulheres sofreram algum tipo de violência nos locais incluídos pela pesquisa, número que representa aumento de 9% em relação a 2024.

O levantamento também aponta crescimento expressivo da violência sexual.

Foram 961 registros de estupro ou violência sexual em 2025, um aumento de 56,6% em relação ao ano anterior, quando foram contabilizados 602 casos.

Entre as vítimas, 56,5% eram meninas de 0 a 17 anos.

Outro ponto do Relatório é a relação entre vítimas e agressores: 78,5% das violências foram cometidas por companheiros ou ex-companheiros.

Ou seja, segundo o Relatório, a maior parte dos casos acontece "dentro de relações afetivas".

O estudo contabilizou 546 casos de Feminicídio e 7 de Transfeminicídio.

No total, são 1.004 mortes quando considerados homicídios, Feminicídios e Transfeminicídios.

A publicação também chama atenção para a falta de informações raciais nos registros de violência na mídia.

Em 86,7% dos casos, não havia identificação de raça ou cor das vítimas, o que, segundo os pesquisadores, dificulta a elaboração de políticas públicas direcionadas.

DIVISÃO REGIONAL
No recorte regional, alguns Estados apresentaram indicadores específicos preocupantes.

No Amazonas, por exemplo, 78,4% das vítimas de violência sexual eram crianças e adolescentes.

O Pará registrou aumento de 76% nos casos de violência, o maior crescimento entre os Estados monitorados.

No Rio de Janeiro, chama a atenção que 39,1% das ocorrências foram registradas na capital.

O Relatório conclui que é necessário ampliar as políticas de prevenção, indo além de respostas policiais e judiciais.

Segundo os pesquisadores, as medidas atuais costumam atuar apenas depois que a violência já ocorreu.

Entre as recomendações, estão investimentos em Educação sobre equidade de gênero nas escolas, além de ações para desconstruir padrões culturais que naturalizam a violência contra mulheres.

A avaliação do Estudo é que, sem enfrentar essas estruturas, o ciclo de violência tende a se perpetuar.

“Evocar a vida, em vez da morte, em um documento estatístico que compõe um perturbador inventário das violações, cumpre o papel paradoxal e necessário de romper as 'máscaras silenciadoras' e de amplificar vozes de denúncia e resistência que transbordam os números”, comenta Flávia Melo, autora do principal texto desta edição.

COMO DENUNCIAR
É possível pedir ajuda e denunciar casos de violência doméstica e contra a mulher na Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, um serviço gratuito que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.

O serviço está disponível também no WhatsApp: (61) 9610-0180 e pelo e-mail central180@mulheres.gov.br.

Denúncias de violência contra a mulher também podem ser apresentadas em Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher ou em delegacias comuns e nas Casas da Mulher Brasileira.

Ainda é possível pedir ajuda por meio dos números Disque 100, que recebe casos de violações de Direitos Humanos, e 190, de ocorrências policiais.

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