Deputado envolvido em contrato fraudulento de R$ 200 milhões é alvo de Operação da Polícia Federal

Felipe Pontes
Agência Brasil de Comunicação
www.agenciabrasil.ebc.gov.br
Foto: Kayo Magalhães - Câmara dos Deputados
Brasília/DF - A PF (Polícia Federal) deflagrou nesta terça-feira (12/05) a Operação Castratio, com o objetivo de colher provas sobre um esquema de fraude em contratos de R$ 200 milhões firmados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro.

São cumpridos 12 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo, autorizados pelo Ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Um dos principais alvos é o deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB/RJ), que foi secretário de Agricultura estadual à época dos crimes investigados.

Siga o perfil do Blog do Teófilo no Facebook

O deputado teve o celular apreendido. Em endereços de outros alvos, a PF também confiscou dinheiro vivo, carros e aparelhos eletrônicos.

O material deverá agora ser periciado em busca de provas sobre o esquema.

A Polícia Federal apura o direcionamento de licitações para castração e esterilização de animais, que teriam favorecido ilegalmente a empresa Consuvet, criada meses antes de assinar um primeiro contrato com a Secretaria, em Julho de 2021.

O contrato foi firmado apesar de parecer contrário da assessoria jurídica da Secretaria, que havia constatado a incapacidade da empresa executar o contrato, por não possuir filiais, por exemplo, o que a impediria de atuar em todo Estado.

Para contornar o impedimento, a empresa apresentou contratos de locação de espaços em 2 Municípios do interior, que teriam sido firmados em 2020.

A PF apontou que tais documentos são fraudulentos, uma vez que a própria empresa somente foi criada em 2021.

O primeiro contrato foi assinado na gestão de Queiroz mesmo com a empresa ainda sem autorização do Conselho Regional de Medicina Veterinária para atuar.

A autorização só foi obtida 3 meses após o acordo.

Depois, a Consuvet viria a vencer licitação em que apresentou apenas a quarta melhor proposta. Uma das justificativas foi a experiência anterior da empresa nos serviços prestados.

Tais contratos anteriores, contudo, haviam sido facilitados pelo gestor Antonio Emilio Santos, que deixou a Secretaria e, 2 meses depois, assumiu como sócio da empresa.

Em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, a PF afirmou que Antonio Emilio Santos “desempenhou um papel crucial na manipulação interna para favorecer interesses particulares” e destacou que “num intervalo de 2 meses, [ele] ingressou na empresa privada vencedora da licitação na qual foi autorizada por ele mesmo”.

A Agência Brasil entrou em contato com o gabinete do deputado Marcelo Queiroz e busca contato com a defesa dos demais citados. O espaço está aberto para incluir manifestação dos envolvidos.

Siga o perfil do Blog do Teófilo no Facebook

Comentários