Mobilização cobra tratamento e direitos de pacientes com fibromialgia

Pedro Rafael Vilela
Foto: Valter Campanato
Agência Brasil de Comunicação
www.agenciabrasil.ebc.gov.br
Brasília/DF - A Fibromialgia foi tema de uma série de atividades em diferentes cidades neste domingo (17)/05 para chamar a atenção sobre a natureza da síndrome e cobrar ações para a garantia de direitos e de tratamento adequado no SUS (Sistema Único de Saúde).

Em Brasília/DF, o evento ocorreu no Parque da Cidade. Foram oferecidas sessões de acupuntura, liberação miofascial, orientações sobre fisioterapia, abordagem psicológica e conversas para conscientização sobre a síndrome.

A Fibromialgia é uma síndrome crônica caracterizada por dores musculares e articulares difusas em várias partes do corpo, frequentemente acompanhadas de fadiga intensa, distúrbios do sono, dificuldade de concentração e alterações de humor.

Embora não provoque inflamações visíveis ou deformações físicas, a condição afeta significativamente a qualidade de vida dos pacientes e pode dificultar atividades cotidianas e desenvolvimento profissional.

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A Servidora Pública Ana Dantas, uma das organizadoras da atividade, explica que a mobilização nacional busca dar mais visibilidade para a doença e cobrar os direitos de quem convive com ela.

"É uma doença que não é visível, ela existe no nosso corpo, mas não ninguém vê".

No Brasil, pessoas com Fibromialgia passaram a contar, nos últimos anos, com maior reconhecimento do Estado.

Isso porque uma Lei Federal de 2023 estabeleceu diretrizes para o SUS no atendimento às pessoas com a doença.

A Legislação prevê atendimento multidisciplinar, incentivo à divulgação de informações sobre a doença e estímulo à capacitação de profissionais de saúde.

LEIA EM Lei garante atendimento integral de pacientes de Fibromialgia e outras dores crônicas, pelo SUS

Apesar disso, ainda não há acesso ao diagnóstico e tratamento especializado pelo SUS.

O enquadramento legal garante acesso aos mesmos direitos de PcD (Pessoa com Deficiência), mas exige a aprovação em avaliação biopsicossocial.

Também prevê possibilidade de acessar auxílio por incapacidade temporária (auxílio-doença), aposentadoria por invalidez e o BPC (Benefício de Prestação Continuada).

"A nossa mobilização é no intuito de buscar políticas públicas, adequar a demanda da comunidade fibriomiálgica no SUS", acrescenta Ana Dantas.

A Servidora Pública de 45 anos descobriu a doença há pouco mais de um ano e relata as limitações impostas.

"Coisas que a gente fazia ali durante 20 minutos se gasta umas 3 ou 4 horas para poder finalizar. É tudo muito lento, tem a questão do esquecimento, a gente esquece as coisas fácil, além da dor que afeta todo o corpo", relata.

A Fibromialgia é mais comum em mulheres entre 30 e 60 anos, mas pode atingir pessoas de qualquer idade e gênero.

As causas exatas ainda não são totalmente conhecidas, porém especialistas apontam que a síndrome está relacionada a alterações no funcionamento do sistema nervoso central, que passa a amplificar a percepção da dor.

Fatores como estresse prolongado, traumas físicos ou emocionais, ansiedade, depressão e predisposição genética podem contribuir para o surgimento da doença.

SINTOMAS E TRATAMENTO
Entre os principais sintomas estão dores persistentes por mais de 3 meses, sensibilidade ao toque, sensação constante de cansaço, sono não reparador, rigidez muscular e episódios de “névoa mental” — dificuldade de memória e atenção.

Também podem ocorrer dores de cabeça, síndrome do intestino irritável e maior sensibilidade a ruídos, luzes e temperatura.

O diagnóstico é clínico, baseado na avaliação médica e na exclusão de outras doenças com sintomas semelhantes.

O tratamento da Fibromialgia costuma envolver uma combinação de medidas.

Medicamentos podem ser usados para controlar a dor, melhorar o sono e tratar sintomas associados, como ansiedade e depressão.

Além disso, exercícios físicos regulares — especialmente caminhadas, hidroginástica e alongamentos — são considerados fundamentais para reduzir os sintomas.

Terapias psicológicas, fisioterapia, técnicas de relaxamento e mudanças no estilo de vida também fazem parte das estratégias mais recomendadas.

Apesar de não ter cura definitiva, a Fibromialgia pode ser controlada, permitindo que muitos pacientes mantenham rotina ativa e qualidade de vida.

"Nesse processo de abordagem da doença, a gente desenvolve a consciência, é o que a gente chama de psicoeducação, sobre tudo o que envolve essa condição, as limitações. Porque afeta a autoestima de muitas mulheres, justamente porque elas ficam muito limitadas, então é muito importante saber como lidar e receber acolhimento", aponta a Psicóloga Mariana Avelar, que trabalhar com pacientes com Fibromialgia.

A pouca visibilidade da doença também se expressa na escassez de dados sobre o número de pessoas com Fibromialgia no país.

"Na prática, apesar da Lei, o acesso a benefícios e direitos ainda é muito burocrático. E muitos profissionais ainda não sabem inclusive dessa Lei e como abordar o problema. A lei precisa pegar de verdade", destaca a Enfermeira Flávia Lacerda, que participou da atividade e também já trabalhou com pacientes nessa situação.

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