Grande Muralha Verde restaura 1,66 milhão de hectares na África

Rafael Cardoso
Agência Brasil de Comunicação
www.agenciabrasil.ebc.gov.br
Foto: ONU - Organização das Nações Unidas
Rio de Janeiro/RJ - Cerca de 1,66 milhão de hectares estão em processo de restauração no Sahel, região africana entre o deserto do Saara e a savana do Sudão.

O resultado representa a principal conquista da iniciativa Acelerador da Grande Muralha Verde, que completou 5 anos e teve relatório apresentado nesta semana pela UNCCD (Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação).

Outros números em destaque do balanço incluem 24 milhões de toneladas de CO₂ equivalente sequestradas ou mitigadas, 4,6 milhões de empregos criados e 46 milhões de pessoas diretamente impactadas.

Segundo a UNCCD, o esforço envolve um conjunto de paisagens restauradas, áreas agrícolas, sistemas de água e comunidades.

O objetivo é combinar recuperação de terras com segurança alimentar, geração de oportunidades econômicas, acesso à energia limpa e aumento da resiliência diante da mudança do clima e da seca.

Siga o perfil do Blog do Teófilo no Facebook

A Grande Muralha Verde foi criada em 2007 pela União Africana e pela UNCCD e reúne atualmente 11 países fundadores, em uma área de 156 milhões de hectares, do Oeste do Senegal ao Chifre da África.

Já o "Acelerador" foi criado em 2021 para melhorar a coordenação da iniciativa, acompanhar os recursos financeiros e ajudar os países a medir os resultados das ações de restauração.

Apesar dos avanços, o próprio relatório alerta que ainda há limitações importantes no acompanhamento dos resultados.

O Observatório da Grande Muralha Verde monitora mais de 389 projetos, porém menos de 90 apresentam atualmente dados de acordo com os indicadores harmonizados adotados pela iniciativa.

A UNCCD considera os resultados, portanto, iniciais.

Além dos 1,66 milhão de hectares em restauração, os dados disponíveis apontam a criação de 4,6 milhões de empregos, contra uma meta de 10 milhões até 2030, e a produção de 2.315 megawatts-hora de energia limpa.

A entidade ressalta que processos de restauração de terras podem levar anos ou décadas para produzir resultados completos e que o levantamento da totalidade dos projetos ainda está em andamento.

Para tentar superar a fragmentação das informações, foi criado em 2024, em Ouagadougou, Burkina Faso, o Observatório da Grande Muralha Verde.

A plataforma reúne informações sobre projetos, financiamento, resultados e dados geoespaciais. Segundo a UNCCD, o sistema já foi endossado por dez dos 11 países fundadores.

Também foram criadas coalizões nacionais em 9 dos 11 países, reunindo Ministérios, Sociedade Civil, Universidades, setor privado e meios de comunicação.

A intenção é melhorar a coordenação das ações e transformar os compromissos financeiros em resultados verificáveis nos territórios.

DESAFIO
O Acelerador foi lançado após a Cúpula One Planet, em 2021, quando parceiros técnicos e financeiros anunciaram mais de US$ 19 bilhões em compromissos para a Grande Muralha Verde.

A iniciativa passou a funcionar como uma estrutura para coordenar os esforços, acompanhar os recursos e fortalecer a capacidade dos países de demonstrar os resultados obtidos.

O relatório, porém, aponta que a distância entre compromissos e resultados continua sendo um desafio.

Além da falta de dados completos, a UNCCD cita dificuldades de coordenação entre diferentes atores e o tempo necessário para que os recursos financeiros se transformem em ações no território.

A próxima etapa deve dar maior peso à comunicação, a mecanismos financeiros inovadores e à gestão transfronteiriça de terras e águas.

Entre as possibilidades mencionadas estão títulos verdes, créditos de carbono e mecanismos de financiamento combinado.

A experiência também busca ampliar a dimensão social da restauração. O relatório destaca iniciativas de geração de renda para mulheres, capacitação de jovens e fortalecimento de empreendimentos locais.

Em um dos exemplos citados pela UNCCD, mulheres do Mali receberam equipamentos e treinamento e ampliaram uma cooperativa de processamento de produtos agrícolas.

No Chade, mulheres foram capacitadas para instalar e reparar painéis solares, transformando o acesso à energia em fonte de renda.

Seca, degradação da terra e restauração dos solos serão temas centrais na COP17 (17ª Conferência das Partes) sobre Desertificação, que acontece entre os dias 17 e 28 de Agosto em Ulaanbatar, capital da Mongólia.

A Agência Brasil acompanhará o evento diretamente do país asiático, em parceria com a UNCCD.

Siga o perfil do Blog do Teófilo no Facebook

Comentários